Tem gente dizendo que o YouTube vai morrer faz pelo menos uns três anos. Em geral, os motivos são o óbvio: gasta muito, e dá pouquíssimo retorno. E não ajuda nem um pouco que modelos que foram considerados incríveis para ganhar dinheiro com vídeo gerado pelo usuário como o revenue sharing (proposto primeiro pelo Revver) não tenham se mostrado sustentáveis a longo prazo. Ao mesmo tempo, a demanda por conteúdo de qualidade online faz com que o Hulu só cresça e continue crescendo (ainda que num ritmo menos acelerado), recebendo investimentos e atraindo anunciantes. No Brasil, o Terra está fazendo uma experiência parecida com conteúdo de séries americanas (Lost, Grey’s Anatomy), reality shows nacionais (A Fazenda) e canais de nicho (People + Arts, Discovery) no novo Terra.tv.
O problema do maior site de vídeos do mundo é bem simples: ninguém quer anunciar em um bando de vídeos pixelados de gatinhos gravados pelo celular que vão ter menos de 200 visualizações por mês. Já apareceram milhares de propostas de como resolver isso, claro. Implementaram os anúncios em overlay e permitiram links externos e investem cada vez mais em acordos para distribuição legal de conteúdo premium por exemplo. Mas essas e outras propostas ainda não resolvem o problema dos vídeos pixelados de gatinhos.
Proposta
Por mais prepotente que seja, essa é uma proposta para ganhar dinheiro com o conteúdo gerado pelos usuários. A página abaixo é a de upload de vídeo no YouTube.
Nessa página, o usuário já escolhe a categoria em que o vídeo entra, seu título, descrição e tags. Esses são os critérios usados para definir os anúncios que aparecem na página do vídeo, servidos via AdSense.
O que o Google pode facilmente implementar aí é um preview dos anúncios que serão mostrados na página do vídeo. Enquanto o usuário espera o upload, visualiza anúncios que apareceriam na página do vídeo, e pode opinar, dizendo quais tem ou não relevância de acordo com o vídeo. Dessa forma, o usuário que produziu (ok, ou que ripou/copiou/etc.) aquele conteúdo ajuda a definir quais anúncios são mais relevantes junto a ele. E por melhores que os robôs do AdSense sejam, eles ainda não substituem uma pessoa.
Problemas
Claro que não é tão simples assim. A resistência aos anúncios é muito alta e muita gente vai simplesmente clicar em “não quero esse” em todos os anúncios que puder. Mas é muito simples identificar isso e criar uma regra como “se o usuário clicar em não exibir em mais de 75% dos anúncios mostrados, ignorar”. E ao mesmo tempo, isso é uma forma de conhecer melhor os usuários.
E sabendo que um usuário é radicalmente contra anúncios em seus vídeos, você acaba de identificar um usuário que talvez, apenas talvez, esteja disposto a pagar para ter certeza que seus vídeos não tenham anúncios.
Como eu disse, é só uma ideia.

on Jul 21st, 2009 at 12:09 pm
Eu não acho que o maior problema do youtube é que ele nao consiga identificar os anuncios certos, mas sim que os videos sao curtos e a sua forma de consumo é tao pouco “engaging” que a taxa de interesse pelo anuncio é minima.
Além disso a história de não conseguir vender vídeos de gatinhos e cachorrinhos tem precedente histórico. Recomendo ouvir a primeira historia desse american life (15 minutos) sobre o sujeito que realmente inventou o youtube lá pelo início dos anos 90.
http://www.thisamericanlife.org/Radio_Episode.aspx?episode=233
Vê? É o paradoxo da caixa de cachorrinhos da feira - todo mundo quer passar a mão, mas ninguem quer comprar.